Aquela sensação de que, não importa o quanto você se esforce, as oportunidades parecem sempre passar reto, ignorando sua existência? Muitas profissionais de RH se veem nessa situação, especialmente no início da jornada. O mercado, com suas promessas de eficiência e tecnologia, deveria abrir portas, mas muitas vezes acaba por criar barreiras invisíveis.
Imagine um elevador programado para parar apenas em andares “certos”, aqueles que estatisticamente funcionam melhor ou que se encaixam em padrões pré-definidos. Quem está nos andares “fora do padrão” — seja por ter uma trajetória não-linear, por não se encaixar em uma descrição robótica ou por ainda estar construindo sua experiência — é simplesmente ignorado.
No RH, essa dinâmica se manifesta de várias formas. Com a crescente automação dos processos seletivos e o uso de inteligência artificial, o que era para ser uma ferramenta de otimização pode se tornar um filtro excludente. Se o seu currículo não contiver as palavras-chave exatas, se sua experiência não for perfeitamente linear, ou se você não se encaixar no “modelo ideal” construído por dados passados, o algoritmo pode simplesmente não te “ver”.
Muitas mulheres em transição de carreira ou em início no RH sentem isso na pele. Elas têm garra, potencial e uma visão única, mas o sistema, com sua lógica de repetição de padrões, não as reconhece. A questão não é que o talento delas não seja valioso; é que o “código” que define o que é valioso pode estar programado de forma equivocada.
Se você tem apertado o botão e o elevador não parou, talvez seja a hora de questionar o código. Não se trata de mudar quem você é, mas de entender como o sistema funciona e, mais importante, como se posicionar de forma estratégica para reescrever as regras do jogo. Sua jornada no RH não precisa seguir um script pronto. Ela pode ser o novo andar que o mercado precisa descobrir.
