O pedido de demissão quase nunca acontece “do nada”.
Ele só parece do nada porque a empresa, na prática, costuma olhar para o RH como quem olha no retrovisor: só enxerga o estrago depois.
Se você é empresário deve saber que turnover alto é caro, repetitivo e previsível.
Previsível não porque dá pra adivinhar pessoas – mas porque o sistema dá sinais. E esses sinais aparecem nos KPIs certos.
A maioria mede “turnover do mês”. Isso é importante, mas é igual medir febre depois que a infecção já espalhou. O que você quer são marcadores de risco: números que piscam antes do “tô saindo”.
A seguir, os KPIs que mais avisam.
1) Turnover por gestor (não por empresa)
Quando o desligamento concentra em um líder específico, não é azar. É padrão.
Como usar:
- compare líderes com equipes parecidas
- olhe histórico (3–6 meses)
- se um gestor “perde” muito mais, o problema está no modelo de gestão, clareza de prioridade e rotina de feedback.
- Sinal vermelho: “a equipe não aguenta” sempre no mesmo lugar.
2) Turnover por tempo de casa (especialmente até 90 dias)
Se você perde gente cedo, o problema quase sempre está aqui:
- promessa da vaga vs realidade
- processo de seleção frágil
- onboarding largado
- cobrança sem direção
Como usar: separe saídas em faixas (ex.: 0–30 / 31–90 / 91–180).
A leitura fica óbvia: perda cedo = entrada ruim. Perda depois = estrutura/gestão/rotina.
Sinal vermelho: “contratei e não durou nem 2 meses” virando normal.
3) Absenteísmo e atrasos por pessoa e por equipe
Antes de alguém pedir para sair, muitas vezes ela “sai aos poucos”:
- começa a faltar
- chega atrasado
- some de conversas
- entrega menos
- fica mais reativa
Como usar: acompanhe tendência, não um dia ruim.
O que importa é padrão de mudança (ex.: alguém que era constante e virou instável).
Sinal vermelho: aumento de faltas em um time + reclamação de clima.
4) Queda de performance no 30/60/90 (ou aumento de retrabalho)
A demissão voluntária costuma vir depois de um período de:
- frustração (“não consigo fazer certo”)
- cobrança confusa
- falta de prioridade
- retrabalho que cansa
Como usar: crie um indicador simples:
- entregas no prazo
- retrabalho/erros
- tickets reabertos
- qualidade mínima por função
Se a curva cai e ninguém atua, a saída chega.
Sinal vermelho: “ele era bom no começo e agora despencou”.
5) Tempo sem 1:1 / feedback
Esse é o mais subestimado.
Quando a liderança não conversa, a pessoa inventa respostas sozinha. E normalmente inventa as piores.
Como usar: meça o básico:
- quantos dias desde o último alinhamento individual
- quantos dias desde uma conversa de rota (orientação, não bronca)
Sinal vermelho: equipe “no automático” e gestor “apagando incêndio”.
6) SLA de entregáveis (quando “entrega boa” muda toda semana)
Esse KPI não é um número único; é uma régua de gestão.
Sem SLA (prazo + padrão mínimo), a cobrança vira injusta: cada um entende “bom” de um jeito.
Como usar: defina:
- o que é “feito”
- em quanto tempo
- com qual padrão mínimo
Quando o SLA não existe, o risco de desligamento sobe porque a pessoa vive em modo “tentar adivinhar”.
Sinal vermelho: “não dá pra agradar” / “cada hora pedem de um jeito”.
O que você faz com isso (sem virar refém de planilha)
Você não precisa de 40 KPIs. Precisa de 6 que mandem recado.
Minha recomendação prática, de empresário para empresário:
Escolha dois indicadores de saída, que podem ser:
- turnover por gestor
- turnover até 90 dias
Escolha dois indicadores de desgaste
- absenteísmo/atrasos
- queda de performance/retrabalho
Escolha dois indicadores de gestão
- tempo sem 1:1/feedback
- SLA de entregáveis definido (sim/não por área)
Aí você ganha o que todo dono quer: previsibilidade.
E previsibilidade reduz custo, evita contratações no susto e melhora produtividade.
Se você quer colocar esses KPIs de pé e transformar isso em plano de ação para reduzir turnover, chame a GUV no WhatsApp: (41) 9131-1556.
